O tema deste
ano é 'Fraternidade: Biomas Brasileiros e Defesa da Vida'.
Por G1 MG, Belo Horizonte
03/03/2017 07h57
"Igreja
Católica lança Campanha da Fraternidade 2017
A Igreja Católica lança, neste sábado (4), em Minas
Gerais, a Campanha da Fraternidade 2017. O tema deste ano é "Fraternidade:
Biomas Brasileiros e Defesa da Vida". O lançamento será no Santuário Nossa
Senhora da Piedade, a partir das 13h. "O local é marcado pelas belezas naturais,
bioma único que reúne as paisagens dos campos rupestres, do cerrado e da mata
atlântica."
"Ao apresentar a Campanha da Fraternidade no
território dedicado à padroeira do estado, a Arquidiocese de Belo Horizonte
convoca os cristãos a defenderem a fauna e a flora das montanhas, que integram
a identidade do estado."
Sobre a campanha
"Segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), o objetivo da ação é dar ênfase à diversidade de cada bioma, promover
relações respeitosas com a vida, o meio ambiente e a cultura dos povos que
vivem nesses biomas."
G1 MG.
INOCÊNCIA
Menino raspa a cabeça para ficar igual a
amigo e 'enganar' professora
História viralizou na internet - para a mãe de Jax, ato prova
que ódio e preconceito são ensinados
Amigos queriam pregar uma peça na
professora
PUBLICADO EM 03/03/17 -- jornal
O Tempo
DA REDAÇÃO
“A
intenção de Jax, de 5 anos, era promover uma pegadinha, enganar a professora,
cortando seu cabelo como o do colega de classe e amigo Reddy. A inocência da criança
branca de uma escola do Estado do Kentucky (EUA) foi postada pela mãe nas redes
sociais, e já tem mais de 135 mil curtidas e 75 mil compartilhamentos.”
“Ele disse que mal podia
esperar para ir para a escola na segunda-feira com o seu novo cabelo como o de
Reddy, de forma que a professora não fosse conseguir distingui-los. Ele pensou
que seria hilário confundir a professora com o mesmo corte de cabelo”, contou
Lydia Stith, mãe de Jax, à agência de notícias Associated Press.
“Aqui
está uma foto de Jax e Reddy na festa de Natal. Tenho certeza que todos vocês
veem a semelhança. Se isso não for prova de que ódio e preconceito são
ensinados, eu não sei o que é”, acrescentou Lydia.
Uma
TV local acompanhou os meninos até a barbearia, onde Reddy afirmou “Jax sou
eu...e eu sou Jax”.
"Esse grupo se espalha por diferentes setores econômicos e regiões do
país. Ajuda a eleger e a derrubar presidentes. Faz de magistrados heróis para
depois os transformarem em vilões, sempre de acordo com suas conveniências.
Manipula a edição de debates eleitorais e infla patos de borracha na TV,
trancando avenidas e prendendo atenções do público para a sua causa. Financia
(e, se tudo correr como querem, voltará a financiar) campanhas de adversários
com o mesmo montante de recursos para que, independentemente de quem vença,
eles sejam os reais ganhadores."
"Esse grupo não tem um líder específico, não possui bandeira ou estatuto,
não possui religião, não conta com sede própria ou endereço para
correspondência. Ninguém é convidado a fazer parte dele, mas os que dele
fazem parte sabem bem onde estão e o que devem defender para a sobrevivência de
seu grupo."
"O clã Odebrecht pode cair, entre outros. Mas esse grupo continuará
reinando. Neste momento, por exemplo, ele empurra goela abaixo da sociedade uma
Reforma da Previdência que fará com que os trabalhadores de regiões mais
pobres, com menor expectativa de vida e que começaram a trabalhar mais cedo,
morram antes de se aposentar. E uma Reforma Trabalhista que pode levar ao
aumento de jornadas sem o pagamento das devidas horas extras. Ou mesmo a
redução da proteção do trabalhador através da ampliação da terceirização legal
para todas as atividades de uma empresa, como proposto no PL 4302/1998, já
aprovado no Senado Federal e que, agora ressuscitado, será apreciado pela Câmara
dos Deputados."
"A histórica incompetência, leniência ou má fé do poder público (do PSDB,
passando pelo PT até chegar ao PMDB) quanto ao setor de construção civil tem
comprometido a dignidade de trabalhadores na construção de casas, apartamentos
e centros empresariais. "(...)
Blog do Sakamoto
Leonardo Sakamoto
É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São
Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e o desrespeito aos direitos
humanos no Brasil. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante
do Departamento de Política da New School,
em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É
diretor da ONG Repórter Brasil e conselheiro do Fundo das Nações Unidas para
Formas Contemporâneas de Escravidão.
São muitos os bobos da corte.
02/03/2017
Carlos Melo, cientista político. Professor do Insper
“Em depoimento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o
ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, teria afirmado ser “o bobo
da corte do governo federal”, o “otário do governo”. É evidente que não se pode
falar que Odebrecht foi simplesmente usado, nem sua reconhecida inteligência
lhe permitiria passar por inocente. Ainda assim, está claro que o empresário se
refere a um jogo marcado desde tempos imemoriais, no Brasil. Jogo do qual,
agora, se arrepende ter praticado.”
“Trata-se de um esporte de regras bastante rígidas; impõe um
postulado básico: quem não está dentro do esquema está fora do governo e de
seus negócios. Este jogo se reproduz Brasil afora – e em vários outros países
também. Está na União, nos estados e nos municípios; em todos os escalões,
passa por milhares de agentes: dos políticos com mandatos, aos nomeados; está
nas assessorias e nos quadros de carreira. Em muitos casos, é condição sine qua
non para ascensão social e elevação nas carreiras.” (...)
Blog do Carlos Melo.
Carlos Melo: paulistano, filho de açorianos,
nasceu em 1965. Cientista político, com graduação, mestrado e doutorado na
PUC-SP. Professor de tempo integral do Insper desde 1999; colecionou
experiências, conquistou prêmios de ensino. Analista político, com colaboração
em vários meios de comunicação; palestrante e consultor. Autor de "Collor,
o ator e suas circunstâncias".
Acadêmicos do Tatuapé é campeã do carnaval de São Paulo em
2017.
A escola de samba
teve como tema Mãe África Conta a Sua História: Do Berço Sagrado da Humanidade
à Abençoada Terra do Grande Zimbabwe.
porAgência Brasil28/02/2017
A
escolade samba Acadêmicos do Tatuapé foi a campeã dos desfiles do Grupo Especial
de São Paulo (foto: Paulo Pinto/LIGASP)
Com
uma vitória conseguida apenas na última nota, a escola de samba Acadêmicos do
Tatuapé foi a grande campeã do carnaval de São Paulo este ano. Após homenagear
o continente africano, a Acadêmicos do Tatuapé conseguiu nota dez na quase
totalidade dos quesitos e conquistou o primeiro ligar na disputa.
A escola de
samba teve como tema Mãe África Conta a Sua História: Do Berço Sagrado da
Humanidade à Abençoada Terra do Grande Zimbabwe. Apenas nos últimos instantes
os membros e torcedores da escola puderam comemorar o resultado.
Andreia Capitulino, rainha de
bateria da Acadêmicos do Tatuapé (Foto: Alan Morici/G1)
Até a nota do penúltimo jurado,
quem vencia era a escola Dragões da Real. Com uma homenagem à famosa música do
cantor Luiz Gonzaga, a escola que ficou em segundo lugar teve o tema Dragões
Canta Asa Branca.
As notas, lidas nesta tarde no
Sambódromo do Anhembi, foram atribuídas por 36 jurados, quatro para cada um dos
nove quesitos.
Na última e penúltima
colocação, as escolas Águia de Ouro e Nenê de Vila Matilde foram rebaixadas
para o Grupo de Acesso. De acordo com as regras, os critérios de desempate
seguiram a ordem inversa dos quesitos que foram anunciados: fantasia, bateria,
comissão de frente, mestre sala e porta bandeira, harmonia.
Integrantes
da Acadêmicos do Tatuapé comemoram vitória durante apuração de notas no
Sambódromo do Anhembi. (Foto: Peter Leone/Estadão Conteúdo
Agencia Brasil.
Portela é a
campeã do carnaval do Rio de Janeiro; escola lembrou tragédia de Mariana
Enredo contou a relação histórica entre a humanidade e os rios,
passando também por lendas e religiões
postado em 01/03/2017
Estado de Minas
(foto: AFP /
Vanderlei ALMEIDA )
A Portela é a escola de samba campeã do carnaval de
2017 do Rio de Janeiro. Em uma disputa apertada, o título de campeã foi
decidido na apuração do último quesito.
Componente da Portela canta o samba da escola (Foto: Alexandre Durão / G1)
A Portela levou ao sambódromo um enredo que contou a relação histórica entre a
humanidade e os rios, passando também por lendas e religiões. A escola
relembrou a tragédia de Mariana, ocorrida em novembro de 2015. Sua quarta
alegoria 'Um rio que era doce' cruzou a avenida totalmente em barro, com
esculturas de pescadores aos prantos.
Publicidade
(foto: Fernando Frazão/Agência Brasil )
O ator Alexandre Maguolo estava no centro deste
destaque e interpretou a dor dos pescadores, que não podem mais viver do rio
que morreu.
Este é o quarto título de Paulo Barros no Grupo
Especial. A disputa foi acirrada e a Portela saiu-se melhor que a Mocidade, o
Salgueiro, a Mangueira, a Grande Rio e a Beija-Flor, que ficaram com as
colocações seguintes. Na apuração, realizada no sambódromo, o campeonato está
sendo intensamente comemorado, assim como na quadra, que fica em Oswaldo Cruz,
zona norte do Rio, e já está cheia.
(foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Estado de Minas.
Por cantores, blocos e bandas,
a música do Carnaval foi o “Fora, Temer”; ouça
Na Bahia, em
São Paulo ou em Belo Horizonte, o grito foi o mesmo por todo o país
Talita Galli -TVT,
Na
capital mineira, uma faixa de 50 metros ganhou as ruas contra o presidente não
eleito / Reprodução
O bloco mineiro “O Síndico”, de Belo
Horizonte, reuniu milhares de pessoas nesse carnaval, e o que deu para ouvir
foi um gigante grito de “Fora, Temer”. O bloco também levou uma faixa de mais
de 50 metros de comprimento com a mensagem.
Em São Paulo, o “Bloco Soviético”, que
desfila pela rua Augusta, levou o “Fora, Temer” para as ruas.
O cantor e compositor
Tom Zé aproveitou o carnaval para divulgar sua mais nova canção:“Mamãe eu quero, fora fora,
Temer. Fora, Temer. Fora fora, Temer”.
Em Salvador, o vocalista da banda Baiana
System, Russo Passapusso puxou o grito na praça Campo Grande, o principal
circuito do carnaval, e foi acompanhado pela multidão. O presidente do Conselho
Municipal do Carnaval de Salvador já ameaçou expulsar a banda do circuito em
2018, por conta da manifestação.
Na mesma noite, no Pelourinho, o cantor e
compositor Caetano Veloso participou de surpresa do show em homenagem aos 50
anos do Tropicalismo, e encerrou o show com um “Fora, Temer”, e afirmou que a
manifestação “é linda”.
O “Fora, Temer” também marcou a saída de um
dos blocos mais tradicionais da Bahia, o Ilê Ayiê. Milhares de pessoas se
reuniram em frente à Senzala do Barro Preto, sede do grupo em Salvador. As
vaias ocorreram no momento em que o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM),
chegou ao local para acompanhar a saída do bloco.
Edição: TVT-Brasil de Fato
Para todos os gostos, com
vários ritmos, carnaval 2017 em BH se despede com multidões nas ruas
Neste
domingo, blocos tocaram axé, forró, coco, jazz e sucessos da música brasileira.
Monobloco e Juventude bronzeada arrastaram milhares de foliões.
Por Raquel Freitas e Humberto Trajano, G1 MG, Belo
Horizonte
28/02/2017
Bateria
do Juventude Bronzeada (Foto: Raquel Freitas/ G1)
O carnaval 2017 em Belo Horizonte vai entrar para a
história como uma das maiores festas que já ocorreram na cidade. Foram dias de
muita festa desde os ensaios, o pré-carnaval e os quatro dias que consagraram
de vez a capital mineira como cidade da folia.
Nesta terça-feira (28), cerca de 50 blocos saíram
às ruas, alguns deles arrastando multidões. Logo pela manhã, o dia nublado não
foi problema para a festa começar quente na Floresta, região Centro-Sul da
capital. O “Juventude Bronzeada” levou uma multidão para o cortejo. Além de
hits do axé e do regue, o bloco apresentou repertório próprio do álbum
“Tropical Lacrador”, lançado recentemente. A concentração começou pela manhã, e
o desfile foi terminar só no meio da tarde.
Cortejo
da Juventude vai caminhando para o final. Por quê? Acaba não! (Foto: Raquel
Freitas/ G1)
A galera do Juventude Bronzeada também se mostrou
engajada durante o cortejo. A banda mandou um recado para quem insiste em
cometer assédio no carnaval: “Respeita as minas"; e, como em vários outros
blocos também puxou o coro de “Fora Temer”.
E uma das
bandeiras do carnaval foi a crítica ao momento político atual do país.
Juventude Bronzeada também puxou coro de "Fora, Temer". (Foto: Raquel
Freitas/ G1)
A noite começou a cair e uma multidão ia tomando
conta do entorno do Mineirão, na Região da Pampulha. O Monobloco, que veio do
RJ se apresentar na folia de Beagá, fez a festa da galera, que ficou espremida
para curtir o som. Pedro Luís, um dos vocalistas, disse que estava “sem
palavras para explicar a emoção de estar tocando no carnaval de Beagá”. A atriz
e também componente do Monobloco, Emanuelle Araújo destacou “a vibração
absurdamente carnavalesca” do desfile nas terras mineiras. As estimavas
iniciais do bloco nesta noite davam conta de 400 mil pessoas nas vias no
entorno do Mineirão, que estavam completamente cheias. Percussionistas locais,
que participaram de oficinas ao longo do ano passado, garantiram o ritmo ao
bloco.
Monobloco
em BH (Foto: Humberto/Trajano)
Além de multidões, o carnaval também colocou toda a
diversidade da música nas ruas. Nesta manhã, o bloco “Coco da Gente” desfilou
em Santa Tereza, na Região Leste, bem cedo. O bloco tem clima do Nordeste. O
fundador, Pedro Campolina, contou que tudo começou em agosto de 2013 com uma
banda, e o primeiro desfile foi no ano passado. No cortejo, os integrantes
percorreram as ruas, tocando instrumentos como alfaia, ganzá, pandeiro e
triângulo. Entre as características do Coco estão a pisada, as palmas e a
girada de saia.
Também pela manhã, na região Centro-Sul, o
tradicional bloco do Peixoto desfilou levando irreverência e a cultura mambembe
do carnaval de rua. Ainda teve forró no início da noite com o “Pisa na Folô”.
E tá todo
mundo girando a saia no Coco da Gente! (Foto: Raquel Freitas/G1)
Tem música brasileira, mas também tem música
tipicamente norte-americana. O jazz de New Orleans ganhou as ruas do bairro
Caiçara, na Região Noroeste, com o bloco Magnólia. Para ter jazz no carnaval,
tem que levar muitos instrumentos de sopro para rua. E isso Magnólia sabe
fazer. Cerca de 10 mil pessoas compareceram ao cortejo.
O maior carnaval, até então, da história de Belo
Horizonte vai deixar saudades.
Para ter
jazz no carnaval, tem que levar muitos instrumentos de sopro para rua. E isso
Magnólia sabe fazer! (Foto: Raquel Freitas/G1)
Escolas de samba
A noite desta terça-feira (28) ainda teve desfile
de escolas de samba na Avenida Afonso Pena, no Centro da capital. Neste ano,
quatro agremiações vão participar do desfile: Estrela do Vale, Imperavi de
Ouros, Acadêmicos de Venda Nova e Cidade Jardim. Elas devem ficar na avenida
entre 40 e 55 minutos.
BH não tem praia, mas tem mar de gente no carnaval do Então, Brilha!
(Foto: Raquel Freitas/G1)
Bloco impedido de desfilar em BH faz 'Abraço Negro' nesta
quarta
Uma das integrantes foi detida pela PM por
se recusar a apresentar documentos. Já a polícia alega que uma tenda instalada
no local estaria irregular.
Por G1 MG, Belo Horizonte
Integrantes
do Bloco Arrasta Bloco de Favela afirmam que polícia impediu saída de bloco.
(Foto: Reprodução/TV Globo)
" Odesfile
cancelado nesta quarta-feira(1º)
no Morro das Pedras, na Região Oeste de Belo Horizonte, após a Polícia Militar
(PM) ter detido Vanessa Beco, uma de seus integrantes, decidiram fazer uma
homenagem a ela nesta noite."
“Nós estamos emocionalmente e fisicamente esgotados com
o que aconteceu. O evento foi batizado de ‘Abraço Negro’. É para apoiar a
Vanessa e denunciar a ação truculenta da polícia”, disse um dos organizadores,
Álvaro Augusto.
"A estrutura do bloco começou a ser montada por volta das
9h30. Mas antes de desfilar, integrantes foram abordados por policiais que
queriam saber se o bloco tinha autorização para realizar o evento. "Foi
feito o cadastro na prefeitura no prazo adequado. [..] Vocês podem ver ali no
fundo tem os banheiros químicos", garantiu Álvaro Augusto, organizador do
bloco. A Belotur afirmou que o evento estava devidamente autorizado."
"Vanessa Beco, que se negou a apresentar o documento de
identidade solicitado por um sargento, foi encaminhada para a delegacia. Em uma
viatura, ela deixou a comunidade acompanhada da advogada e sob protesto dos
moradores."
“Se não fosse a luta, não teria carnaval em
Belo Horizonte”
Produtor e
militante cultural, José Guilherme Castro fala de projetos e desafios para a
festa
Joana Tavares
Belo Horizonte,
José
Guilherme Castro: “O fenômeno do carnaval politizado é do momento, acontece no
Rio e em São Paulo também” / Rafaella Dotta / Brasil de Fato MG
"De folião amador de vários carnavais em
Recife e Olinda, José Guilherme Castro passou pela radiodifusão comunitária,
pela discussão da luta antimanicomial e
agora se firma como carnavalesco profissional. Neste ano, atua em um projeto de
fantasiar os principais monumentos da cidade, organiza um bloco em homenagem à
revolução russa que sai o ano inteiro e desfila no Bloco Reciclado, com as
fantasias todas de material reaproveitado, se somando ao coletivo que constrói
o “Carnaval Lixo Zero”.
Brasil
de Fato – A retomada do carnaval em Belo Horizonte veio da mobilização dos
grupos. Você acha que o caráter contestador se mantém neste ano?
"José Guilherme Castro - Se não fosse a luta, não teria carnaval em Belo
Horizonte. Aqui, é um carnaval conquistado. Mas ainda há muitas burocracias a
serem vencidas. A gente fazia o carnaval inteiro sem pedir alvará, agora é
difícil conseguir tocar os projetos, é muito difícil ainda o diálogo com a
prefeitura. Mas ainda é uma festa de disputa da cidade. Em 2009, começa o
movimento quando o Marcio Lacerda [PSB, prefeito de Belo Horizonte de
2009 a 2016] proibiu os eventos na Praça da Estação, em 2010 começa a ter
mais blocos, depois vai só crescendo. O principal ator politizador do carnaval
de BH era o Lacerda, que tentou acabar e depois disputar com o carnaval. Agora
tem essa postura ambígua do [Alexandre] Kalil [PHS], que tenta se aproximar,
que traz patrocínios para a cidade. Os blocos começam a se entender com essa
ideia, que pode ter a ver com a profissionalização. Mas o fenômeno do carnaval
de luta é do momento. Isso está acontecendo em São Paulo, no Rio. Como era na
ditadura. Saíram blocos como o “Segura a coisa”, com um baseado gigante,
o “Eu acho é pouco”, sobre a tortura, o “Nóis sofre mas nóis goza”. Essa coisa
da política, da contestação, ficou um pouco adormecida, mas está voltando. Estamos
na resistência ofensiva. "
Mas
há investimentos suficientes este ano? Como fica a relação entre os blocos e as
escolas de samba?
"Aqui se gasta muito pouco no carnaval. Tanto é que o argumento contra as
escolas de samba é que elas gastam muito. Que elas gastam só para armar a
estrutura na Afonso Pena 49% do orçamento. Que 70% das despesas do carnaval de
BH são com as escolas de samba. Mas 70% de pouco é quase nada. A prefeitura
ganha com o carnaval. É a tal folia criativa, que está trazendo valores altos
para a cidade. Falta um investimento na riqueza cultural. Poderia ter dinheiro
para embelezar a cidade, chamar os artistas plásticos, trazer todos os ritmos
do Brasil para o carnaval, com bandas e tudo. Poderia se aproveitar para
renovar as estátuas, ao invés de colocar cercadinhos para supostamente
protegê-las. É a lógica estranha de para onde vai o recurso. E é preciso mais
cuidado com as escolas de samba, que são historicamente detonadas,
desrespeitadas. Belo Horizonte tinha muitas escolas de samba. Se não tivessem
sido paralisadas essas atividades pelo poder público, seria uma das principais
manifestações culturais da cidade. Como diz um amigo meu, as escolas são óperas
na rua."
Qual
a ideia do Bloco Soviético, em homenagem aos 100 anos da revolução russa?
"Ele traz duas grandes contribuições: contribuir com a politização e trazer a
ideia de fazer o carnaval o ano inteiro. Vai durar 2017 todo, todo dia 17, às
17h, na Praça Sete. Outras cidades já têm esse bloco Soviético, como São Paulo,
que o organiza há cinco anos. Aqui fazemos mais uma performance política, ainda
não tem grupo muito consolidado. É um grande palco de falas, de reunir pessoas.
O bloco tenta ser um facilitador, fazer com que militantes virem foliões e
foliões virem militantes."
Qual
a proposta do Carnaval Lixo Zero?
"Belo Horizonte tem um dos principais artistas plásticos brasileiros, o Léo
Piló, que atua com reciclagem e é um grande conhecedor do carnaval. E é com ele
que é lançado agora o Carnaval Lixo Zero, com as fantasias que ele faz, com 100%
de material reciclado. Vão sair no Bloco Reciclado, feito com roupas do ano
passado. E ele está executando um projeto com a prefeitura, que é a confecção e
instalação de 25 fantasias em 25 monumentos da cidade. E vamos fazer também uma
discussão sobre o cerrado. Fizemos uma alegoria de um tatu, que vai sair em
vários blocos este ano. "
O
que falta no carnaval de BH?
"Falta cultura carnavalesca. Temos carnaval, mas não cultura carnavalesca, que
tem que ser o ano todo. A preparação, o ensaio, precisa começar muito antes.
Aqui falta espaço, recurso, discutir mesmo o carnaval. Nosso carnaval não é
amador, é muito eficiente. Mas ainda é pequeno. Falta descentralizar para a
periferia, para a região metropolitana."
Edição:
Frederico Santana Rick. Transcrito do Brasil de Fato..