domingo, 5 de março de 2017

Campanha da Fraternidade 2017


O tema deste ano é 'Fraternidade: Biomas Brasileiros e Defesa da Vida'.


Por G1 MG, Belo Horizonte
03/03/2017 07h57  
"Igreja Católica lança Campanha da Fraternidade 2017
A Igreja Católica lança, neste sábado (4), em Minas Gerais, a Campanha da Fraternidade 2017. O tema deste ano é "Fraternidade: Biomas Brasileiros e Defesa da Vida". O lançamento será no Santuário Nossa Senhora da Piedade, a partir das 13h. "O local é marcado pelas belezas naturais, bioma único que reúne as paisagens dos campos rupestres, do cerrado e da mata atlântica."

"Ao apresentar a Campanha da Fraternidade no território dedicado à padroeira do estado, a Arquidiocese de Belo Horizonte convoca os cristãos a defenderem a fauna e a flora das montanhas, que integram a identidade do estado."
Sobre a campanha
"Segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o objetivo da ação é dar ênfase à diversidade de cada bioma, promover relações respeitosas com a vida, o meio ambiente e a cultura dos povos que vivem nesses biomas."
G1 MG.


INOCÊNCIA
Menino raspa a cabeça para ficar igual a amigo e 'enganar' professora

História viralizou na internet - para a mãe de Jax, ato prova que ódio e preconceito são ensinados


Amigos queriam pregar uma peça na professora
PUBLICADO EM 03/03/17 -- jornal O Tempo 
DA REDAÇÃO
“A intenção de Jax, de 5 anos, era promover uma pegadinha, enganar a professora, cortando seu cabelo como o do colega de classe e amigo Reddy. A inocência da criança branca de uma escola do Estado do Kentucky (EUA) foi postada pela mãe nas redes sociais, e já tem mais de 135 mil curtidas e 75 mil compartilhamentos.”

Virgínia Oliveira @vi_augusto

"Aqui está uma foto de Jax e Reddy na festa de Natal. Tenho certeza que todos... http://fb.me/1sBM6B8oN 

Menino corta cabelo igual a amigo para tentar enganar a professora


“Ele disse que mal podia esperar para ir para a escola na segunda-feira com o seu novo cabelo como o de Reddy, de forma que a professora não fosse conseguir distingui-los. Ele pensou que seria hilário confundir a professora com o mesmo corte de cabelo”, contou Lydia Stith, mãe de Jax, à agência de notícias Associated Press.
“Aqui está uma foto de Jax e Reddy na festa de Natal. Tenho certeza que todos vocês veem a semelhança. Se isso não for prova de que ódio e preconceito são ensinados, eu não sei o que é”, acrescentou Lydia.
Uma TV local acompanhou os meninos até a barbearia, onde Reddy afirmou “Jax sou eu...e eu sou Jax”.
 jornal O Tempo 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Otários

Odebrecht diz que é o otário do governo. Bobagem. Otários somos nós.
Leonardo Sakamoto   02/03/2017     

 ''Eu era o otário do governo. Era o bobo da corte do governo.'' A resposta de Marcelo Odebrecht dada a Herman Benjamin, relator da ação no Tribunal Superior Eleitoral que investiga a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer nas eleições de 2014, tenta despistar uma verdade. Ele pode não dar ordens ao governo, como questionado, ou ''não ser dono do governo'', como mesmo disse. Mas faz parte do grupo que dá ordens e que é dono."

"Esse grupo se espalha por diferentes setores econômicos e regiões do país. Ajuda a eleger e a derrubar presidentes. Faz de magistrados heróis para depois os transformarem em vilões, sempre de acordo com suas conveniências. Manipula a edição de debates eleitorais e infla patos de borracha na TV, trancando avenidas e prendendo atenções do público para a sua causa. Financia (e, se tudo correr como querem, voltará a financiar) campanhas de adversários com o mesmo montante de recursos para que, independentemente de quem vença, eles sejam os reais ganhadores."
"Esse grupo não tem um líder específico, não possui bandeira ou estatuto, não possui religião, não conta com sede própria ou endereço para correspondência. Ninguém é convidado a fazer parte dele, mas os que dele fazem parte sabem bem onde estão e o que devem defender para a sobrevivência de seu grupo."
"O clã Odebrecht pode cair, entre outros. Mas esse grupo continuará reinando. Neste momento, por exemplo, ele empurra goela abaixo da sociedade uma Reforma da Previdência que fará com que os trabalhadores de regiões mais pobres, com menor expectativa de vida e que começaram a trabalhar mais cedo, morram antes de se aposentar. E uma Reforma Trabalhista que pode levar ao aumento de jornadas sem o pagamento das devidas horas extras. Ou mesmo a redução da proteção do trabalhador através da ampliação da terceirização legal para todas as atividades de uma empresa, como proposto no PL 4302/1998, já aprovado no Senado Federal e que, agora ressuscitado, será apreciado pela Câmara dos Deputados."
"A histórica incompetência, leniência ou má fé do poder público (do PSDB, passando pelo PT até chegar ao PMDB) quanto ao setor de construção civil tem comprometido a dignidade de trabalhadores na construção de casas, apartamentos e centros empresariais. "(...)
Blog do Sakamoto
                                          
              


Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e o desrespeito aos direitos humanos no Brasil. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New  School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil e conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão. 



São muitos os bobos da corte.

02/03/2017     


Carlos Melo, cientista político. Professor do Insper

“Em depoimento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, teria afirmado ser “o bobo da corte do governo federal”, o “otário do governo”. É evidente que não se pode falar que Odebrecht foi simplesmente usado, nem sua reconhecida inteligência lhe permitiria passar por inocente. Ainda assim, está claro que o empresário se refere a um jogo marcado desde tempos imemoriais, no Brasil. Jogo do qual, agora, se arrepende ter praticado.”
“Trata-se de um esporte de regras bastante rígidas; impõe um postulado básico: quem não está dentro do esquema está fora do governo e de seus negócios. Este jogo se reproduz Brasil afora – e em vários outros países também. Está na União, nos estados e nos municípios; em todos os escalões, passa por milhares de agentes: dos políticos com mandatos, aos nomeados; está nas assessorias e nos quadros de carreira. Em muitos casos, é condição sine qua non para ascensão social e elevação nas carreiras.” (...)
Blog do Carlos Melo.
Carlos Melo: paulistano, filho de açorianos, nasceu em 1965. Cientista político, com graduação, mestrado e doutorado na PUC-SP. Professor de tempo integral do Insper desde 1999; colecionou experiências, conquistou prêmios de ensino. Analista político, com colaboração em vários meios de comunicação; palestrante e consultor. Autor de "Collor, o ator e suas circunstâncias".

quarta-feira, 1 de março de 2017

carnaval

Acadêmicos do Tatuapé é campeã do carnaval de São Paulo em 2017.

A escola de samba teve como tema Mãe África Conta a Sua História: Do Berço Sagrado da Humanidade à Abençoada Terra do Grande Zimbabwe.

 por Agência Brasil 28/02/2017

A escola de samba Acadêmicos do Tatuapé foi a campeã dos desfiles do Grupo Especial de São Paulo (foto: Paulo Pinto/LIGASP)

Com uma vitória conseguida apenas na última nota, a escola de samba Acadêmicos do Tatuapé foi a grande campeã do carnaval de São Paulo este ano. Após homenagear o continente africano, a Acadêmicos do Tatuapé conseguiu nota dez na quase totalidade dos quesitos e conquistou o primeiro ligar na disputa.

A escola de samba teve como tema Mãe África Conta a Sua História: Do Berço Sagrado da Humanidade à Abençoada Terra do Grande Zimbabwe. Apenas nos últimos instantes os membros e torcedores da escola puderam comemorar o resultado.
Andreia Capitulino, rainha de bateria da Acadêmicos do Tatuapé (Foto: Alan Morici/G1)


Até a nota do penúltimo jurado, quem vencia era a escola Dragões da Real. Com uma homenagem à famosa música do cantor Luiz Gonzaga, a escola que ficou em segundo lugar teve o tema Dragões Canta Asa Branca.
As notas, lidas nesta tarde no Sambódromo do Anhembi, foram atribuídas por 36 jurados, quatro para cada um dos nove quesitos.
Na última e penúltima colocação, as escolas Águia de Ouro e Nenê de Vila Matilde foram rebaixadas para o Grupo de Acesso. De acordo com as regras, os critérios de desempate seguiram a ordem inversa dos quesitos que foram anunciados: fantasia, bateria, comissão de frente, mestre sala e porta bandeira, harmonia.

Integrantes da Acadêmicos do Tatuapé comemoram vitória durante apuração de notas no Sambódromo do Anhembi. (Foto: Peter Leone/Estadão Conteúdo 
 Agencia Brasil.



Portela é a campeã do carnaval do Rio de Janeiro; escola lembrou tragédia de Mariana

Enredo contou a relação histórica entre a humanidade e os rios, passando também por lendas e religiões

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 postado em 01/03/2017    
 Estado de Minas

(foto: AFP / Vanderlei ALMEIDA )


A Portela é a escola de samba campeã do carnaval de 2017 do Rio de Janeiro. Em uma disputa apertada, o título de campeã foi decidido na apuração do último quesito.
Componente da Portela canta o samba da escola (Foto: Alexandre Durão / G1)


A Portela levou ao sambódromo um enredo que contou a relação histórica entre a humanidade e os rios, passando também por lendas e religiões. A escola relembrou a tragédia de Mariana, ocorrida em novembro de 2015. Sua quarta alegoria 'Um rio que era doce' cruzou a avenida totalmente em barro, com esculturas de pescadores aos prantos. 

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(foto: Fernando Frazão/Agência Brasil )

O ator Alexandre Maguolo estava no centro deste destaque e interpretou a dor dos pescadores, que não podem mais viver do rio que morreu.



Este é o quarto título de Paulo Barros no Grupo Especial. A disputa foi acirrada e a Portela saiu-se melhor que a Mocidade, o Salgueiro, a Mangueira, a Grande Rio e a Beija-Flor, que ficaram com as colocações seguintes. Na apuração, realizada no sambódromo, o campeonato está sendo intensamente comemorado, assim como na quadra, que fica em Oswaldo Cruz, zona norte do Rio, e já está cheia.

 (foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Estado de Minas.


Por cantores, blocos e bandas, a música do Carnaval foi o “Fora, Temer”; ouça

Na Bahia, em São Paulo ou em Belo Horizonte, o grito foi o mesmo por todo o país

Talita Galli -TVT, 

Na capital mineira, uma faixa de 50 metros ganhou as ruas contra o presidente não eleito / Reprodução

O bloco mineiro “O Síndico”, de Belo Horizonte, reuniu milhares de pessoas nesse carnaval, e o que deu para ouvir foi um gigante grito de “Fora, Temer”. O bloco também levou uma faixa de mais de 50 metros de comprimento com a mensagem.
Em São Paulo, o “Bloco Soviético”, que desfila pela rua Augusta, levou o “Fora, Temer” para as ruas.
O cantor e compositor Tom Zé aproveitou o carnaval para divulgar sua mais nova canção: “Mamãe eu quero, fora fora, Temer. Fora, Temer. Fora fora, Temer”.
Em Salvador, o vocalista da banda Baiana System, Russo Passapusso puxou o grito na praça Campo Grande, o principal circuito do carnaval, e foi acompanhado pela multidão. O presidente do Conselho Municipal do Carnaval de Salvador já ameaçou expulsar a banda do circuito em 2018, por conta da manifestação.
Na mesma noite, no Pelourinho, o cantor e compositor Caetano Veloso participou de surpresa do show em homenagem aos 50 anos do Tropicalismo, e encerrou o show com um “Fora, Temer”, e afirmou que a manifestação “é linda”.
O “Fora, Temer” também marcou a saída de um dos blocos mais tradicionais da Bahia, o Ilê Ayiê. Milhares de pessoas se reuniram em frente à Senzala do Barro Preto, sede do grupo em Salvador. As vaias ocorreram no momento em que o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), chegou ao local para acompanhar a saída do bloco.
Edição: TVT-Brasil de Fato
Para todos os gostos, com vários ritmos, carnaval 2017 em BH se despede com multidões nas ruas
Neste domingo, blocos tocaram axé, forró, coco, jazz e sucessos da música brasileira. Monobloco e Juventude bronzeada arrastaram milhares de foliões.


Por Raquel Freitas e Humberto Trajano, G1 MG, Belo Horizonte
28/02/2017   

Bateria do Juventude Bronzeada (Foto: Raquel Freitas/ G1)  
O carnaval 2017 em Belo Horizonte vai entrar para a história como uma das maiores festas que já ocorreram na cidade. Foram dias de muita festa desde os ensaios, o pré-carnaval e os quatro dias que consagraram de vez a capital mineira como cidade da folia.
Nesta terça-feira (28), cerca de 50 blocos saíram às ruas, alguns deles arrastando multidões. Logo pela manhã, o dia nublado não foi problema para a festa começar quente na Floresta, região Centro-Sul da capital. O “Juventude Bronzeada” levou uma multidão para o cortejo. Além de hits do axé e do regue, o bloco apresentou repertório próprio do álbum “Tropical Lacrador”, lançado recentemente. A concentração começou pela manhã, e o desfile foi terminar só no meio da tarde.
  
Cortejo da Juventude vai caminhando para o final. Por quê? Acaba não! (Foto: Raquel Freitas/ G1)
A galera do Juventude Bronzeada também se mostrou engajada durante o cortejo. A banda mandou um recado para quem insiste em cometer assédio no carnaval: “Respeita as minas"; e, como em vários outros blocos também puxou o coro de “Fora Temer”.

E uma das bandeiras do carnaval foi a crítica ao momento político atual do país. Juventude Bronzeada também puxou coro de "Fora, Temer". (Foto: Raquel Freitas/ G1)

A noite começou a cair e uma multidão ia tomando conta do entorno do Mineirão, na Região da Pampulha. O Monobloco, que veio do RJ se apresentar na folia de Beagá, fez a festa da galera, que ficou espremida para curtir o som. Pedro Luís, um dos vocalistas, disse que estava “sem palavras para explicar a emoção de estar tocando no carnaval de Beagá”. A atriz e também componente do Monobloco, Emanuelle Araújo destacou “a vibração absurdamente carnavalesca” do desfile nas terras mineiras. As estimavas iniciais do bloco nesta noite davam conta de 400 mil pessoas nas vias no entorno do Mineirão, que estavam completamente cheias. Percussionistas locais, que participaram de oficinas ao longo do ano passado, garantiram o ritmo ao bloco.
Monobloco em BH (Foto: Humberto/Trajano)
Além de multidões, o carnaval também colocou toda a diversidade da música nas ruas. Nesta manhã, o bloco “Coco da Gente” desfilou em Santa Tereza, na Região Leste, bem cedo. O bloco tem clima do Nordeste. O fundador, Pedro Campolina, contou que tudo começou em agosto de 2013 com uma banda, e o primeiro desfile foi no ano passado. No cortejo, os integrantes percorreram as ruas, tocando instrumentos como alfaia, ganzá, pandeiro e triângulo. Entre as características do Coco estão a pisada, as palmas e a girada de saia.
Também pela manhã, na região Centro-Sul, o tradicional bloco do Peixoto desfilou levando irreverência e a cultura mambembe do carnaval de rua. Ainda teve forró no início da noite com o “Pisa na Folô”.


E tá todo mundo girando a saia no Coco da Gente! (Foto: Raquel Freitas/G1)
Tem música brasileira, mas também tem música tipicamente norte-americana. O jazz de New Orleans ganhou as ruas do bairro Caiçara, na Região Noroeste, com o bloco Magnólia. Para ter jazz no carnaval, tem que levar muitos instrumentos de sopro para rua. E isso Magnólia sabe fazer. Cerca de 10 mil pessoas compareceram ao cortejo.
O maior carnaval, até então, da história de Belo Horizonte vai deixar saudades.

Para ter jazz no carnaval, tem que levar muitos instrumentos de sopro para rua. E isso Magnólia sabe fazer! (Foto: Raquel Freitas/G1)

Escolas de samba

A noite desta terça-feira (28) ainda teve desfile de escolas de samba na Avenida Afonso Pena, no Centro da capital. Neste ano, quatro agremiações vão participar do desfile: Estrela do Vale, Imperavi de Ouros, Acadêmicos de Venda Nova e Cidade Jardim. Elas devem ficar na avenida entre 40 e 55 minutos.


BH não tem praia, mas tem mar de gente no carnaval do Então, Brilha! (Foto: Raquel Freitas/G1)

Bloco impedido de desfilar em BH faz 'Abraço Negro' nesta quarta

Uma das integrantes foi detida pela PM por se recusar a apresentar documentos. Já a polícia alega que uma tenda instalada no local estaria irregular.

 

 

Integrantes do Bloco Arrasta Bloco de Favela afirmam que polícia impediu saída de bloco. (Foto: Reprodução/TV Globo)

" O desfile cancelado nesta quarta-feira (1º) no Morro das Pedras, na Região Oeste de Belo Horizonte, após a Polícia Militar (PM) ter detido Vanessa Beco, uma de seus integrantes, decidiram fazer uma homenagem a ela nesta noite."
“Nós estamos emocionalmente e fisicamente esgotados com o que aconteceu. O evento foi batizado de ‘Abraço Negro’. É para apoiar a Vanessa e denunciar a ação truculenta da polícia”, disse um dos organizadores, Álvaro Augusto.

"A estrutura do bloco começou a ser montada por volta das 9h30. Mas antes de desfilar, integrantes foram abordados por policiais que queriam saber se o bloco tinha autorização para realizar o evento. "Foi feito o cadastro na prefeitura no prazo adequado. [..] Vocês podem ver ali no fundo tem os banheiros químicos", garantiu Álvaro Augusto, organizador do bloco. A Belotur afirmou que o evento estava devidamente autorizado."

"Vanessa Beco, que se negou a apresentar o documento de identidade solicitado por um sargento, foi encaminhada para a delegacia. Em uma viatura, ela deixou a comunidade acompanhada da advogada e sob protesto dos moradores."
Transcrito do G1MG

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

FOLIA


“Se não fosse a luta, não teria carnaval em Belo Horizonte”

Produtor e militante cultural, José Guilherme Castro fala de projetos e desafios para a festa

Belo Horizonte, 
José Guilherme Castro: “O fenômeno do carnaval politizado é do momento, acontece no Rio e em São Paulo também” / Rafaella Dotta / Brasil de Fato MG
"De folião amador de vários carnavais em Recife e Olinda, José Guilherme Castro passou pela radiodifusão comunitária, pela discussão da luta  antimanicomial e agora se firma como carnavalesco profissional. Neste ano, atua em um projeto de fantasiar os principais monumentos da cidade, organiza um bloco em homenagem à revolução russa que sai o ano inteiro e desfila no Bloco Reciclado, com as fantasias todas de material reaproveitado, se somando ao coletivo que constrói o “Carnaval Lixo Zero”.

Brasil de Fato – A retomada do carnaval em Belo Horizonte veio da mobilização dos grupos. Você acha que o caráter contestador se mantém neste ano?

"José Guilherme Castro - Se não fosse a luta, não teria carnaval em Belo Horizonte. Aqui, é um carnaval conquistado. Mas ainda há muitas burocracias a serem vencidas. A gente fazia o carnaval inteiro sem pedir alvará, agora é difícil conseguir tocar os projetos, é muito difícil ainda o diálogo com a prefeitura. Mas ainda é uma festa de disputa da cidade. Em 2009, começa o movimento quando o Marcio Lacerda [PSB, prefeito de Belo Horizonte de  2009 a 2016] proibiu os eventos na Praça da Estação, em 2010 começa a ter mais blocos, depois vai só crescendo. O principal ator politizador do carnaval de BH era o Lacerda, que tentou acabar e depois disputar com o carnaval. Agora tem essa postura ambígua do [Alexandre] Kalil [PHS], que tenta se aproximar, que traz patrocínios para a cidade. Os blocos começam a se entender com essa ideia, que pode ter a ver com a profissionalização. Mas o fenômeno do carnaval de luta é do momento. Isso está acontecendo em São Paulo, no Rio. Como era na ditadura.  Saíram blocos como o “Segura a coisa”, com um baseado gigante, o “Eu acho é pouco”, sobre a tortura, o “Nóis sofre mas nóis goza”. Essa coisa da política, da contestação, ficou um pouco adormecida, mas está voltando. Estamos na resistência ofensiva. "

Mas há investimentos suficientes este ano? Como fica a relação entre os blocos e as escolas de samba?

"Aqui se gasta muito pouco no carnaval. Tanto é que o argumento contra as escolas de samba é que elas gastam muito. Que elas gastam só para armar a estrutura na Afonso Pena 49% do orçamento. Que 70% das despesas do carnaval de BH são com as escolas de samba. Mas 70% de pouco é quase nada. A prefeitura ganha com o carnaval. É a tal folia criativa, que está trazendo valores altos para a cidade. Falta um investimento na riqueza cultural. Poderia ter dinheiro para embelezar a cidade, chamar os artistas plásticos, trazer todos os ritmos do Brasil para o carnaval, com bandas e tudo. Poderia se aproveitar para renovar as estátuas, ao invés de colocar cercadinhos para supostamente protegê-las. É a lógica estranha de para onde vai o recurso. E é preciso mais cuidado com as escolas de samba, que são historicamente detonadas, desrespeitadas. Belo Horizonte tinha muitas escolas de samba. Se não tivessem sido paralisadas essas atividades pelo poder público, seria uma das principais manifestações culturais da cidade. Como diz um amigo meu, as escolas são óperas na rua."


Qual a ideia do Bloco Soviético, em homenagem aos 100 anos da revolução russa?

"Ele traz duas grandes contribuições: contribuir com a politização e trazer a ideia de fazer o carnaval o ano inteiro. Vai durar 2017 todo, todo dia 17, às 17h, na Praça Sete. Outras cidades já têm esse bloco Soviético, como São Paulo, que o organiza há cinco anos. Aqui fazemos mais uma performance política, ainda não tem grupo muito consolidado. É um grande palco de falas, de reunir pessoas. O bloco tenta ser um facilitador, fazer com que militantes virem foliões e foliões virem militantes." 

Qual a proposta do Carnaval Lixo Zero?

"Belo Horizonte tem um dos principais artistas plásticos brasileiros, o Léo Piló, que atua com reciclagem e é um grande conhecedor do carnaval. E é com ele que é lançado agora o Carnaval Lixo Zero, com as fantasias que ele faz, com 100% de material reciclado. Vão sair no Bloco Reciclado, feito com roupas do ano passado. E ele está executando um projeto com a prefeitura, que é a confecção e instalação de 25 fantasias em 25 monumentos da cidade. E vamos fazer também uma discussão sobre o cerrado. Fizemos uma alegoria de um tatu, que vai sair em vários blocos este ano. "

O que falta no carnaval de BH?

"Falta cultura carnavalesca. Temos carnaval, mas não cultura carnavalesca, que tem que ser o ano todo. A preparação, o ensaio, precisa começar muito antes. Aqui falta espaço, recurso, discutir mesmo o carnaval. Nosso carnaval não é amador, é muito eficiente. Mas ainda é pequeno. Falta descentralizar para a periferia, para a região metropolitana."

Edição: Frederico Santana Rick. Transcrito do Brasil de Fato..