"Intervenção militar
não se justifica e é ineficiente, diz ex-chefe da Polícia Civil"
"Hélio Luz afirma que presença das Forças
Armadas no Rio de Janeiro não ataca raiz do problema".
Rafael Tatemoto
Brasil de Fato | Brasília (DF) - 16
de Fevereiro de 2018
.
"Hélio Luz, chefe da Polícia Civil
fluminense entre 1995 e 1997, considera “estranho” o decreto presidencial de Michel
Temer que instituiu, nesta sexta-feira (16),
intervenção federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Para ele,
o estado já passou por momentos mais críticos na segurança pública e, além
disso, o emprego das Forças Armadas já se mostrou ineficiente no longo prazo."
“O Rio de Janeiro não está na pior situação
de criminalidade que já passou. Já passou por piores e já reverteu. De
imediato, com ações mais determinadas. A longo prazo, se não houver
planejamento, daqui a algum tempo acontece a mesma coisa. A UPP (Unidade de
Polícia Pacificador) foi isso. Tudo planejado para quatro anos, nunca passou
disso”, afirma.
"O ex-delegado lembra que na década de 1990
havia um contexto mais grave no Rio. Em 1994, por exemplo, o estado chegou a
registrar o sequestro de 140 pessoas. Para ele, após um primeiro momento, os
problemas permanentes da segurança pública fluminense voltam mesmo com a
presença do Exército."
“Já havia um plano de segurança que estava
sendo posto em andamento. Se há intervenção, é porque o plano federal falhou. A
intervenção das Forças Armadas no Rio de Janeiro não é novidade: fizeram em
1992, no Morro do Alemão. Chegam lá, passam 15 dias ou um mês. Dá tudo certo.
Quando eles saem, volta tudo ao normal. O problema é… a palavra certa é
corrupção. O problema de envolvimento da Polícia com a criminalidade, depois de
algum tempo, os interventores, mesmo das Forças Armadas, ficam permeados. Não
há muito o que se esperar. Tem alguma coisa de pano de fundo nisso”, lamenta.
"Diferentemente
das ações militares citadas, a Intervenção decretada por
Edição: Camila Salmazio
"Artigo | A Intervenção
militar no Rio: dos juízes aos generais"
"Só há crime organizado quando estão
envolvidos agentes do Estado", diz ex-secretário nacional de segurança
pública.
Luiz Eduardo Soares*
Nós17 de Fevereiro de 2018 às 10:29
"A situação da segurança pública no Rio é
gravíssima e, portanto, não há mais lugar para discursos oficiais defensivos e
auto-indulgentes. O crime organizado se espalhou como por metástase, mas note
bem: só há crime organizado quando estão envolvidos agentes do Estado.
Segmentos numerosos e importantes das instituições policiais não apenas se
associaram ao crime, mas o promoveram –e aqui se fala sobretudo no mais
relevante: tráfico de armas, crime federal. O que fez a polícia federal ? O que
fez o Exército, responsável com a PF pelo controle das armas? O que fez a
Marinha para bloquear o tráfico de armas na baía de Guanabara? O Estado do Rio
está falido, suas instituições profundamente atingidas, mas o que dizer do
governo federal e dos organismos federais? De que modo uma ocupação militar
resolveria questões cujo enfrentamento exige investigação profunda e atuação
nas fronteiras do estado, além de reformas institucionais radicais e grandes
investimentos sociais?"
"Os próprios militares sabem que não podem
nem lhes cabe resolver o problema da insegurança pública. Sua presença
transmitirá uma sensação temporária de que o Rio se acalmou, porque os sintomas
estarão abafados, mas nada será solucionado e a solução sequer será encaminhada.
Basta analisar o que se passou na Maré: o Exército ocupou as favelas por um
ano, desgastou-se na relação com as comunidades, a um custo de 600 milhões de
reais, e tão logo as tropas se retiraram, os problemas retornaram com mais
força."
"Os próprios militares sabem que não podem nem lhes cabe resolver
o problema da insegurança pública. Sua presença transmitirá uma sensação
temporária de que o Rio se acalmou, porque os sintomas estarão abafados, mas
nada será solucionado e a solução sequer será encaminhada. Basta analisar o que
se passou na Maré: o Exército ocupou as favelas por um ano, desgastou-se na
relação com as comunidades, a um custo de 600 milhões de reais, e tão logo as
tropas se retiraram, os problemas retornaram com mais força."(...)
*Luiz Eduardo Soares é
antropólogo, escritor, dramaturgo e professor de filosofia política da UERJ.
Foi secretário nacional de segurança pública. Seu livro mais recente é “Rio de
Janeiro; histórias de vida e morte” (Companhia das Letras, 2015).
Edição:
Nós
https://www.brasildefato.com.br/2018/02/17/a-intervencao-militar-no-rio-dos-juizes-aos-generais/
"Deputada do Rio alerta
para possível intervenção militar em mais nove estados".
“Jandira Feghali (PCdoB) acredita que medida
de Temer vai
além da retaliação à rejeição aos governos escancarada durante”
Rede Brasil Atual
Rede Brasil Atual 17
de Fevereiro de 2018 às 12:36

"Em vídeo divulgado ontem (16) nas redes
sociais, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) externou preocupação com
a intervenção militar na Segurança Pública do Rio de Janeiro decretada por Michel
Temer . Para ela, a medida vai além de uma resposta à
rejeição ao governo federal, bem como ao governador Luiz
Fernando Pezão (MDB) e ao prefeito Marcelo Crivella
(PRB), que ficaram explícitas durante o carnaval."
“O carnaval foi a vitrine dessa insegurança,
que jogou para o mundo o que está acontecendo no Rio de Janeiro. Mas é também a
rejeição absoluta a estes três níveis de governo. Aí eles buscam algum grau de
sustentação, que não será só no Rio. Estão anunciadas (medidas de intervenção)
em mais nove estados”, disse a deputada.
Intervenção federal no Rio só fica abaixo
de ‘estado de sítio’ e ‘estado de defesa’
"Jandira destacou sua preocupação com a violência trazida pelo protagonismo das forças armadas no país. “Forças Armadas não são policiais. São preparadas para a guerra, para matar. Não são forças de segurança do cidadão. A cidadania precisa de uma força pública que a proteja. Eu tenho muita preocupação com forças armadas sendo usadas como forças policiais. O Exército e as forças armadas poderiam entrar, mas ajudando no comando, na inteligência, na detecção cirúrgica do crime, do tráfico de armas e das drogas, e não nas ruas", defendeu."
"Jandira destacou sua preocupação com a violência trazida pelo protagonismo das forças armadas no país. “Forças Armadas não são policiais. São preparadas para a guerra, para matar. Não são forças de segurança do cidadão. A cidadania precisa de uma força pública que a proteja. Eu tenho muita preocupação com forças armadas sendo usadas como forças policiais. O Exército e as forças armadas poderiam entrar, mas ajudando no comando, na inteligência, na detecção cirúrgica do crime, do tráfico de armas e das drogas, e não nas ruas", defendeu."
"Quantos
civis, quantos inocentes, podem, a partir da truculência dessas forças, ser
assassinados em uma operação dentro das comunidades ou nas ruas? Tenho muito
medo de pessoas, principalmente as mais pobres, serem assassinadas sem uma
apuração correta, tendo suas casas invadidas, com pé na porta, e agressões”,
acrescentou Jandira.(...)
Edição:
Rede Brasil Atual